Época 2023-24
IAS/IFRSRC_Benfica_SAD_23_24.pdf
Rendimentos
179.0 M€
Resultado Líq.
−31.4 M€
Custo Pessoal
110.5 M€
Saldo Transf.
58.4 M€
Demonstração de Resultados
| Rendimentos Operacionais | 179.0 M€ |
| Gastos com Pessoal | −110.5 M€ |
| FSE | −86.5 M€ |
| Resultado Operacional | −14.8 M€ |
| Resultado Líquido | −31.4 M€ |
Balanço
| Ativo Total | 565.2 M€ |
| Passivo Total | 483.4 M€ |
| Capital Próprio | +81.9 M€ |
| Plantel (valor) | 149.1 M€ |
| Ativo Corrente | 100.6 M€ |
| Passivo Corrente | 209.6 M€ |
Custos com Pessoal
| Total Pessoal | −110.5 M€ |
| Remunerações | 90.6 M€ |
| Rem. Fixas | 82.7 M€ |
| Rem. Variáveis | 7.9 M€ |
| Encargos Sociais | 8.0 M€ |
| Indemnizações | 3.8 M€ |
| Comissões Agentes | −8.4 M€ |
Transferências
| Receitas de Transferências | 77.3 M€ |
| Gastos c/ Transferências | −18.9 M€ |
| Saldo | +58.4 M€ |
Dívida
| Empréstimos Bancários | 164.5 M€ |
| Total Obrigacionista | 175.2 M€ |
| └ Benfica SAD 2022-2025 | 59.5 M€ |
| └ Benfica SAD 2023-2026 | 49.2 M€ |
| └ Benfica SAD 2024-2027 | 48.9 M€ |
| └ Benfica SAD 2021-2024 | 17.7 M€ |
Análise
Análise Financeira do Benfica SAD na Época 2023-24
A época 2023-24 representou um período de erosão financeira significativa para o Benfica, apesar da continuidade operacional. O clube registou um resultado líquido negativo de €31,4M, invertendo o pequeno lucro de €4,2M obtido no exercício anterior. Este deterioramento ocorreu não obstante as receitas totais de €179,0M, revelando pressões estruturais nos custos. O capital próprio contraiu de €113,2M para €81,9M, uma redução de 27,6%, enquanto o ativo total permaneceu relativamente estável. A ausência do título nacional nesta época contribuiu para a ausência de receitas complementares que historicamente compensavam ineficiências operacionais.
A gestão de pessoal permanece o principal desafio estrutural, consumindo €110,5M (61,7% da receita total), sendo €90,6M em remunerações diretas. As comissões a agentes desportivos de €8,4M acrescentaram pressão adicional. O resultado operacional negativo de €14,8M sinaliza que a actividade nuclear não é autossustentável, dependendo de receitas de transferências para equilibrar as contas.
No mercado de transferências, as demonstrações de resultados registaram €77,3M em receitas e €18,9M em gastos (amortizações das aquisições reconhecidas no período), gerando um saldo contabilístico de €58,4M. Contudo, estes números devem ser lidos com metodologia clara: os €18,9M de gastos representam a amortização anual dos passes adquiridos, não o investimento real em contratações: o cash efectivamente pago em aquisições foi de €87,0M, e o Transfermarkt reporta €105,7M em fees acordados. Da mesma forma, o cash recebido em alienações foi de €112,4M, enquanto o Transfermarkt aponta €106,6M. O saldo líquido de caixa em transferências foi de €25,4M (€112,4M recebidos menos €87,0M pagos), substancialmente diferente do saldo contabilístico de €58,4M. A venda de Gonçalo Ramos por €65,0M foi a operação mais relevante. A estratégia de reinvestimento imediato não produziu resultados desportivos equiparáveis, comprometendo a sustentabilidade do modelo.
A dívida total de €339,7M (70,3% do passivo total) mantém-se em níveis elevados, com €164,5M em empréstimos bancários e €175,2M em obrigações. O clube encerrou o exercício com caixa de €20,4M face a um passivo corrente de €227,4M. A época 2024-25 arrancou com uma estrutura patrimonial fragilizada, exigindo correcção urgente do desequilíbrio entre custos de pessoal e receitas operacionais recorrentes.
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Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2023-24
Estrutura de Capital e Solvabilidade
A posição patrimonial do Benfica SAD deteriorou-se significativamente durante a época 2023-24. O capital próprio contraiu de €113,2M para €81,9M, representando uma redução de 27,6% em apenas um exercício. Este declínio resultou directamente do prejuízo líquido de €31,4M, numa progressão preocupante face ao resultado positivo de €4,2M no período anterior. O rácio de solvabilidade desceu para 16,9% (capital próprio sobre ativo total), enquanto o leverage ratio se elevou para 5,89x (passivo total sobre capital próprio). A alavancagem financeira, medida pela dívida total estruturada de €164,5M em empréstimos bancários mais €175,2M em obrigações (€339,7M total), correspondeu a 85,4% do passivo total, evidenciando forte dependência do financiamento externo. Esta trajectória, se continuada, coloca em risco a capacidade de cumprir rácios de covenants associados aos instrumentos de dívida em vigor.
Liquidez e Capacidade de Serviço da Dívida
A posição de liquidez deteriorou-se face ao exercício precedente. O caixa de €20,4M representava apenas 9,0% do passivo corrente de €227,4M, originando um rácio de liquidez imediata inferior a 0,10, nível que sinaliza dependência crítica de fluxos de caixa futuros de transferências ou financiamentos para honrar compromissos de curto prazo. O ativo corrente de €88,8M face ao passivo corrente de €227,4M produzia um rácio de liquidez geral de 0,39, estruturalmente insuficiente. A geração de caixa operacional dependia quase integralmente da actividade de transferências, tornando o clube vulnerável a qualquer interrupção neste ciclo de desinvestimento em plantel.
Qualidade de Resultados e Análise Operacional
O resultado operacional negativo de €14,8M e o resultado líquido de €-31,4M revelam que a actividade recorrente não gera excedentes suficientes para cobrir a estrutura de custos. Os rendimentos totais de €179,0M foram insuficientes face aos gastos estruturais: pessoal de €110,5M (61,7% dos rendimentos), FSE e outros custos, acrescidos de encargos financeiros. A análise desagregada mostra que, excluindo o saldo das transferências, o resultado operacional seria ainda mais negativo, sinalizando que o modelo de negócio assenta estruturalmente em receitas de desinvestimento, não em receitas operacionais recorrentes.
Metodologia Contabilística das Transferências
A leitura do mercado de transferências requer distinção entre planos de análise. As demonstrações de resultados registaram receitas de €77,3M e gastos de €18,9M (amortizações anuais de passes adquiridos, não o investimento bruto), gerando um saldo contabilístico de €58,4M. O mapa de fluxos de caixa reflecte a realidade efectiva: €112,4M recebidos em alienações e €87,0M pagos em aquisições, produzindo um saldo líquido de caixa de €25,4M, substancialmente inferior ao saldo contabilístico. O Transfermarkt reporta €106,6M em saídas e €105,7M em entradas (saldo de apenas €880 mil), diferença que resulta de timing contabilístico, mecanismos de financiamento nas vendas (factoring/confirming) e estruturas de pagamento por prestações nas compras que não se reflectem integralmente no mesmo exercício. A operação mais relevante foi a venda de Gonçalo Ramos (€65,0M), complementada por várias saídas de menor dimensão. O reinvestimento de €87,0M em cash em novas contratações não gerou retorno desportivo equivalente, comprometendo tanto a competitividade como a lógica de mais-valias futuras.
Dinâmica de Endividamento e Riscos
A dívida financeira de €339,7M mantém-se em níveis incompatíveis com a geração de caixa operacional recorrente, exigindo refinanciamento contínuo ou venda de activos. A concentração de passivos no curto prazo (€227,4M) representa uma pressão de liquidez permanente. O custo médio da dívida, embora não divulgado em detalhe, implica encargos financeiros que contribuíram para o resultado líquido negativo apesar do resultado operacional menos negativo. As comissões a agentes (€8,4M) constituem um custo crescente, reflexo da intensidade do mercado de transferências e da complexidade das operações realizadas.
Enquadramento e Impacto nos Exercícios Seguintes
A época 2023-24 estabeleceu as condições que exigiram a recuperação de 2024-25. A erosão de €31,3M no capital próprio num único exercício, combinada com a dependência estrutural de transferências e os elevados custos fixos de pessoal, tornou imperativa uma gestão activa do mercado de jogadores no período seguinte. O modelo financeiro do clube revela uma característica sistémica: sem conquista do título e sem receitas europeias de topo, os gastos estruturais excedem as receitas operacionais recorrentes em mais de €50M, tornando o equilíbrio orçamental dependente de um ciclo de vendas de jogadores que tem limites naturais em termos de plantel disponível para monetizar.
Análise das Fontes de Receita Operacional
O perfil de receitas de 2023-24 documenta o impacto da menor presença europeia. A queda dos prémios UEFA de €74,3M (2022-23) para €49,0M (-34%) foi o factor determinante na deterioração dos resultados. Pela primeira vez nas épocas analisadas, os direitos TV (€50,5M, 30%) superaram os prémios UEFA (€49,0M, 29%), invertendo a hierarquia habitual. O crescimento das receitas comerciais foi transversal: corporate +18% (€20,0M), royalties +100% (€4,2M, provavelmente reflectindo novo contrato), bilheteira estável (€19,4M). Porém, este crescimento comercial de €5-10M não compensou a redução de €25M nos prémios UEFA. A lição estrutural é clara: o Benfica SAD necessita de progressão consistente nas fases avançadas das competições europeias para manter o equilíbrio operacional sem depender de transferências excepcionais.