Época 2024-25
IAS/IFRS20251001-relatorio-contas-24-25.pdf
Rendimentos
189.7 M€
Resultado Líq.
34.4 M€
Custo Pessoal
127.1 M€
Saldo Transf.
88.9 M€
Demonstração de Resultados
| Rendimentos Operacionais | 189.7 M€ |
| Gastos com Pessoal | −127.1 M€ |
| FSE | −70.1 M€ |
| Resultado Operacional | +50.6 M€ |
| Resultado Líquido | +34.4 M€ |
Balanço
| Ativo Total | 591.2 M€ |
| Passivo Total | 474.9 M€ |
| Capital Próprio | +116.3 M€ |
| Plantel (valor) | 131.2 M€ |
| Ativo Corrente | 120.9 M€ |
| Passivo Corrente | 249.4 M€ |
Custos com Pessoal
| Total Pessoal | −127.1 M€ |
| Remunerações | 93.3 M€ |
| Rem. Fixas | 82.3 M€ |
| Rem. Variáveis | 11.0 M€ |
| Encargos Sociais | 7.6 M€ |
| Indemnizações | 14.0 M€ |
| Comissões Agentes | −16.2 M€ |
Transferências
| Receitas de Transferências | 117.3 M€ |
| Gastos c/ Transferências | −28.4 M€ |
| Saldo | +88.9 M€ |
Dívida
| Empréstimos Bancários | 142.9 M€ |
| Total Obrigacionista | 152.5 M€ |
| └ Benfica SAD 2024-2027 | 49.3 M€ |
| └ Benfica SAD 2025-2029 | 53.7 M€ |
| └ Benfica SAD 2023-2026 | 49.6 M€ |
Análise
Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2024-25
Na época 2024-25, o Benfica apresentou uma recuperação financeira significativa após o resultado negativo de €31,4M registado no exercício anterior. O clube alcançou um resultado líquido positivo de €34,4M e um resultado operacional de €50,6M, indicadores que refletem a capacidade de gerar receita e controlar custos operacionais. O ativo total cresceu para €591,2M (face aos €565,2M de 2023-24), e, mais importante, o capital próprio aumentou de €81,9M para €116,3M, uma melhoria de 42%, sinalizando consolidação patrimonial após dois exercícios de erosão. Esta evolução foi conseguida apesar de o clube não ter conquistado o título nacional.
A estratégia de mercado foi decisiva para este desempenho. As receitas de transferências reconhecidas nas demonstrações de resultados atingiram €117,3M, valor que inclui a aceleração de recebimentos via mecanismos de factoring ou confirming em certas operações: o cash efectivamente recebido em alienações foi de €123,2M e os fees totais acordados ascendem a €166,9M segundo o Transfermarkt, com as principais saídas a incluírem João Neves (€65,9M), Marcos Leonardo (€40M) e David Neres (€28M). No que respeita às aquisições, importa distinguir os €28,4M reconhecidos no resultado do exercício (que representam a amortização anual dos passes adquiridos, custo do passe repartido pela duração do contrato, não o investimento total), dos €85,2M efectivamente desembolsados em caixa e dos €81,3M em fees acordados reportados pelo Transfermarkt. Comparar as receitas brutas de vendas com a amortização contabilística das compras produz uma imagem assimétrica do mercado: o saldo líquido de caixa em transferências foi de €38,0M (€123,2M recebidos menos €85,2M pagos), não os €88,9M que a aritmética do P&L isolado sugeriria.
A preocupação estrutural mantém-se no endividamento elevado. O passivo total de €474,9M (80% do ativo total) representa uma dívida financeira de €295,4M em empréstimos e obrigacionistas. O rácio de liquidez mantém-se preocupante, com apenas €6,4M em caixa face a €249,4M de passivo corrente. Os gastos com pessoal de €127,1M (67% dos rendimentos totais) e as comissões a agentes desportivos de €16,2M constituem encargos estruturais significativos. Apesar da melhoria operacional, o clube permanece numa situação de leverage exigente, dependente da continuação de receitas de transferências para equilibrar o orçamento: o défice operacional core, excluindo vendas de jogadores, situa-se acima dos €50M negativos.
A recuperação das receitas UEFA (€72,8M, 37%) foi o principal driver da melhoria dos resultados nesta época, regressando a níveis próximos dos obtidos em 2022-23. Os direitos televisivos continuaram a crescer (€52,7M, 26%), e as fontes comerciais atingiram novos máximos históricos: corporate e rendas €22,2M (11%), bilheteira €23,2M (12%) e patrocínios €24,5M (12%). Esta evolução estrutural das receitas comerciais é relevante: em 2017-18 estas três fontes representavam €47M; em 2024-25 totalizam €70M, um crescimento de 49% em sete épocas. A dependência da UEFA mantém-se (37%), mas o crescimento das receitas estáveis reduz progressivamente a amplitude do impacto de uma eventual eliminação precoce nas competições europeias.
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Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2024-25
Solvabilidade e Estrutura de Capital
Na época 2024-25, o Benfica SAD apresentou uma melhoria significativa na sua posição de solvabilidade, após o resultado negativo da temporada anterior. O capital próprio aumentou de €81,9M para €116,3M, representando um acréscimo de 42% que reflectiu o resultado líquido positivo de €34,4M. O rácio de solvabilidade (Capital Próprio / Ativo Total) situa-se em 19,7%, ainda modesto face ao nível de alavancagem financeira, mas manifestamente mais robusto do que no exercício precedente, em que havia permanecido nos 14,5%. A estrutura de capital revela uma dependência significativa do financiamento externo, com o passivo total a atingir €474,9M face a um ativo total de €591,2M. A dívida financeira consolidada (empréstimos obtidos de €142,9M mais obrigacionistas de €152,5M) totaliza €295,4M, correspondendo a um múltiplo de 2,54 vezes o capital próprio.
Liquidez e Ciclo de Caixa
A posição de liquidez revela-se como o fator mais vulnerável da estrutura financeira. O caixa e equivalentes de €6,4M contrasta de forma acentuada com um passivo corrente de €249,4M, originando um rácio de liquidez imediata de apenas 2,6%, sinalizando stress acentuado no curto prazo. Ainda que o ativo corrente de €120,9M ofereça maior conforto, com um rácio de liquidez geral de 48,5%, tal composição depende fortemente da reciclagem de devedores comerciais e da realização de operações de transferências. Esta vulnerabilidade foi parcialmente mitigada pela robustez das receitas de vendas de jogadores, que permitiram fluxos de caixa operacional positivos durante o período. A estrutura de passivos apresenta uma concentração substancial no curto prazo (52,5% do total), reflectindo vencimentos de encargos com pessoal, fornecedores e parcelas correntes de empréstimos.
Qualidade de Resultados e Dinâmica Operacional
O resultado operacional de €50,6M e o resultado líquido de €34,4M evidenciaram uma recuperação significativa face ao défice de €31,4M registado na época anterior. Contudo, uma análise desagregada das receitas revela que tal resultado foi fortemente sustentado pela actividade de transferências: as receitas de vendas reconhecidas de €117,3M representaram 61,7% das receitas totais de €189,7M. O saldo operacional core, excluindo transferências, situa-se portanto próximo dos €72,4M de receita ordinária, enfrentando gastos com pessoal de €127,1M: o que origina um resultado operacional deficitário de aproximadamente €54,7M na actividade recorrente. Esta característica estrutural suscita preocupações sobre a sustentabilidade do modelo sem o suporte contínuo de desinvestimentos em plantel.
Metodologia Contabilística das Transferências
Para uma leitura correcta do impacto das transferências, é essencial distinguir os três planos de análise. No plano das demonstrações de resultados, as receitas de €117,3M correspondem aos valores reconhecidos no exercício, podendo incluir antecipações via factoring ou confirming nas vendas; os gastos de €28,4M representam a amortização anual dos passes adquiridos (custo do jogador dividido pela duração do contrato), não o investimento bruto em contratações. No plano dos fluxos de caixa, o clube recebeu efectivamente €123,2M por alienações e pagou €85,2M em aquisições, gerando um saldo líquido de €38,0M. O Transfermarkt reporta fees acordados totais de €166,9M em saídas e €81,3M em entradas. Comparar as receitas brutas de vendas com a amortização das compras produziria um saldo aparente de €88,9M, que não reflecte a realidade do investimento efectuado.
Alavancagem e Dinâmica de Endividamento
A alavancagem financeira permanece elevada apesar da melhoria relativa. O rácio debt-to-equity situa-se em 2,54 vezes, acima dos níveis considerados sustentáveis para entidades com cash flow operacional estruturalmente negativo na actividade recorrente. A proporção de passivo corrente (52,5% do total) enfatiza a concentração de vencimentos no curto prazo, particularmente de remunerações de pessoal (€93,3M) que absorvem a quase totalidade das receitas operacionais não transferências. O volume de comissões a agentes desportivos de €16,2M constitui um custo adicional significativo, representando 13,1% do cash recebido em vendas e reflectindo a dependência de intermediadores no processo de desinvestimento. A sustentabilidade da dívida de €295,4M ficará comprometida caso o clube não consiga manter a cadência de vendas de jogadores de elevado valor de mercado.
Contexto Desportivo e Viabilidade do Modelo
A não obtenção do título de campeão nacional na época 2024-25 introduz um factor de risco adicional face à estrutura financeira apresentada. Ainda que o resultado líquido positivo reflicta uma gestão eficaz de transferências, com saídas como João Neves (€65,9M) e Marcos Leonardo (€40,0M) a garantirem fluxos de caixa positivos, a dependência de receitas extraordinárias de transferências para produzir resultados positivos revela fragilidade subjacente no modelo de negócio. A actividade operacional core, descontadas as vendas de jogadores, apresenta um défice estrutural superior a €50M. A questão que se coloca para a época 2025-26 é a capacidade de repor talento equivalente mediante os investimentos realizados (€85,2M em cash), mantendo competitividade desportiva e continuando a gerar mais-valias num ciclo que, a prazo, enfrenta limites de plantel disponível para monetizar.
Análise das Fontes de Receita Operacional
A decomposição da Nota 15 do Relatório e Contas 2024-25 revela um mix com €199M em receitas operacionais identificadas, com a UEFA a recuperar posição dominante (€72,8M, 37%). A análise da evolução entre 2023-24 e 2024-25 é ilustrativa: UEFA +48% (de €49,0M para €72,8M), TV +4%, bilheteira +20% (de €19,4M para €23,2M), corporate +11% (de €20,0M para €22,2M). O crescimento da bilheteira (+€3,8M) e do corporate (+€2,2M) sugere consolidação da base de adeptos e do segmento premium, tendências estruturalmente positivas independentes do desempenho europeu. Contudo, a UEFA continua a representar 37% das receitas operacionais, pelo que a sustentabilidade do modelo continua condicionada ao desempenho nas fases avançadas da Liga dos Campeões. A divergência entre receitas operacionais de ~€200M e gastos com pessoal de €127M cria um rácio de cobertura de 1,57x, melhor que em qualquer época recente, mas ainda dependente de receitas de transferências para financiar o ciclo de desenvolvimento e renovação do plantel.