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Época 2022-23

🏆 Campeão Nacional IAS/IFRS

NET_Relatorio Benfica_SAD_22_23_FINAL.pdf

Rendimentos

195.8 M€

Resultado Líq.

4.2 M€

Custo Pessoal

114.7 M€

Saldo Transf.

63.7 M€

Demonstração de Resultados

Rendimentos Operacionais 195.8 M€
Gastos com Pessoal −114.7 M€
FSE −82.1 M€
Resultado Operacional +13.7 M€
Resultado Líquido +4.2 M€

Balanço

Ativo Total 557.8 M€
Passivo Total 444.6 M€
Capital Próprio +113.2 M€
Plantel (valor) 126.5 M€
Ativo Corrente 137.3 M€
Passivo Corrente 185.1 M€

Custos com Pessoal

Total Pessoal −114.7 M€
Remunerações 94.1 M€
Rem. Fixas 77.5 M€
Rem. Variáveis 16.6 M€
Encargos Sociais 6.9 M€
Indemnizações 5.9 M€
Comissões Agentes −11.2 M€

Transferências

Receitas de Transferências 88.9 M€
Gastos c/ Transferências −25.2 M€
Saldo +63.7 M€

Dívida

Empréstimos Bancários 143.8 M€
Total Obrigacionista 164.5 M€
└ Benfica SAD 2021-2024 34.7 M€
└ Benfica SAD 2022-2025 58.9 M€
└ Benfica SAD 2023-2026 48.7 M€
└ Benfica SAD 2020-2023 22.1 M€

Análise

Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2022-23

A época 2022-23 representou um período de recuperação e consolidação financeira para o Benfica SAD, após o desastre que fora a temporada anterior. O clube conquistou o campeonato nacional e apresentou resultados significativamente melhores do que em 2021-22, período em que havia registado um prejuízo de €35M. Nesta época, o Benfica alcançou um resultado líquido positivo de €4,2M, ainda que modesto. O ativo total cresceu de €533,7M para €557,8M, enquanto o passivo desceu de €533,7M para €444,6M, refletindo uma melhoria gradual na estrutura do balanço apesar do peso das dívidas. O capital próprio cresceu de €109,0M para €113,2M.

A estratégia de transferências foi o grande alicerce desta recuperação. As receitas reconhecidas nas demonstrações de resultados atingiram €88,9M, enquanto o cash efectivamente recebido em alienações foi de €154,8M, diferença que reflecte mecanismos de reconhecimento faseado e possível factoring de receitas de vendas de épocas anteriores, como as emblemáticas saídas de Enzo Fernández (€121M, Janeiro de 2023) e Darwin Núñez (€85M, Verão de 2022). No que respeita às aquisições, os €25,2M registados no P&L representam a amortização anual dos passes adquiridos, não o investimento real em contratações. O cash efectivamente desembolsado em novas contratações foi de €93,5M, e o Transfermarkt reporta o mesmo valor em fees acordados. Apresentar as compras como "contidas em €25,2M" quando o desembolso real foi de €93,5M criaria uma imagem assimétrica e incorrecta da estratégia de mercado. O saldo líquido de caixa em transferências foi de €61,3M (€154,8M recebidos menos €93,5M pagos), que é a medida mais fiel do resultado efectivo do mercado neste exercício.

A saúde financeira revela vulnerabilidade estrutural apesar dos sinais positivos. O capital próprio de €113,2M para um ativo total de €557,8M reflecte um rácio de alavancagem elevado. A dívida de médio/longo prazo (€259,5M em passivo não corrente) supera o capital próprio, situação que limita a margem de manobra futura. A caixa de €28,6M face aos €185,1M de passivo corrente sinaliza dependência contínua de receitas de transferências para manter o equilíbrio, dependência que os exercícios subsequentes confirmariam.

A conquista do campeonato e uma nova campanha na Liga dos Campeões consolidaram a estrutura de receitas no seu nível histórico mais elevado até então. Os prémios UEFA mantiveram-se como maior fonte individual (€74,3M, 40%), reflectindo progressão na fase de grupos da Champions. Os direitos televisivos cresceram para €48,8M (26%), e a bilheteira (€19,8M, 11%) beneficiou do efeito campeão com maior procura nos jogos em casa. O corporate e rendas (€17,0M, 9%) e patrocínios (€23,9M, 13%) reforçaram o perfil comercial. Esta foi a época em que as receitas operacionais mais se aproximaram de cobrir a estrutura de custos sem depender exclusivamente das transferências, embora o desequilíbrio estrutural se mantivesse.

Ver análise detalhada

ANÁLISE FINANCEIRA DO BENFICA SAD | ÉPOCA 2022-23

Solvabilidade e Estrutura de Capital

A estrutura patrimonial do Benfica SAD encontrou-se num processo de consolidação após a época anterior particularmente desafiadora. O capital próprio cresceu de €109,0M para €113,2M, um aumento marginal de 3,8%, enquanto o ativo total expandiu de €533,7M para €557,8M. O rácio de solvabilidade (capital próprio / ativo total) situou-se em 20,3%, permanecendo numa posição de elevada alavancagem. A estrutura de capitais alheios totalizou €444,6M, donde €308,3M em financiamento directo (empréstimos bancários e obrigacionistas), revelando uma dependência significativa do endividamento estruturado. O rácio debt-to-equity manteve-se em 3,93x, reflectindo a permanência de condicionantes financeiras que limitam a flexibilidade de investimento.

Liquidez e Ciclo de Caixa

A posição de liquidez manteve fragilidade estrutural. O caixa de €28,6M representava 15,5% do passivo corrente de €185,1M, originando rácio de liquidez imediata de 0,15, insuficiente para cobrir compromissos de curto prazo sem recurso à actividade de transferências. O ativo corrente de €72,7M face ao passivo corrente de €185,1M produzia rácio de liquidez geral de 0,39, abaixo do limiar prudencial. A geração de caixa dependia criticamente do cash recebido em alienações (€154,8M), valor substancialmente superior às receitas reconhecidas no P&L (€88,9M), diferença que reflecte quer o recebimento de prestações de vendas de épocas anteriores (Darwin Núñez, Enzo Fernández) quer eventuais mecanismos de antecipação de recebimentos.

Qualidade de Resultados e Análise Operacional

O resultado líquido positivo de €4,2M, embora modesto, representou uma inversão relevante face ao prejuízo de €35,0M do exercício anterior. Contudo, a análise da qualidade dos resultados revela dependência estrutural das transferências: sem o saldo de transferências, o resultado operacional seria negativo. Os gastos com pessoal de €114,7M (58% dos rendimentos totais de €197,7M) e as comissões a agentes de €11,2M constituíram os principais vectores de pressão nos custos. A rentabilidade operacional core permanece negativa, sinaliza que o modelo operacional recorrente não é autossustentável sem o suporte das mais-valias de alienação de jogadores.

Metodologia Contabilística das Transferências

A análise das transferências nesta época exige particular atenção metodológica, dada a magnitude e complexidade das operações. As demonstrações de resultados registaram receitas de €88,9M e gastos de €25,2M (amortizações anuais reconhecidas), produzindo um saldo contabilístico de €63,7M. Porém, estes números apresentam uma assimetria significativa face à realidade económica: (i) no lado das receitas, o cash efectivo recebido em alienações foi de €154,8M, substancialmente superior aos €88,9M reconhecidos, reflectindo o recebimento de prestações e possíveis antecipações via factoring/confirming de vendas de Enzo Fernández (€121M, Janeiro 2023) e Darwin Núñez (€85M, Verão 2022); (ii) no lado das compras, os €25,2M no P&L representam exclusivamente a amortização anual dos passes adquiridos, enquanto o desembolso efectivo em novas contratações foi de €93,5M em cash e €93,5M em fees acordados (Transfermarkt). A assimetria entre receitas aceleradas (via factoring) e custos amortizados (via IFRS) cria uma ilusão contabilística de "compras contidas" que não corresponde ao investimento real efectuado. O saldo líquido de caixa, a métrica mais fiel, foi de €61,3M (€154,8M recebidos menos €93,5M pagos), valor próximo do saldo contabilístico apenas por coincidência aritmética, não por equivalência conceptual.

Alavancagem e Dinâmica de Endividamento

A dívida financeira de €308,3M (empréstimos de €48,8M mais obrigacionistas de €259,5M) permanece como principal condicionante estrutural. A concentração em instrumentos obrigacionistas reflecte a estratégia de diversificação de fontes de financiamento iniciada em anos anteriores, mas implica um perfil de vencimentos e covenants que exige continuidade do ciclo de desinvestimento em plantel. O custo do financiamento, embora não detalhado, contribui para encargos financeiros que limitam a melhoria do resultado líquido apesar do resultado operacional positivo.

Contexto Desportivo e Sustentabilidade

A conquista do campeonato nacional em 2022-23 gerou receitas adicionais e contribuiu para a melhoria dos resultados operacionais face ao exercício anterior. Contudo, o modelo financeiro revela que a sustentabilidade continua dependente de um ciclo de identificação, desenvolvimento e alienação de jogadores de elevado valor, ciclo que os exercícios de 2023-24 e 2024-25 mostrariam ter limites quanto à disponibilidade contínua de activos monetizáveis de topo.

Análise das Fontes de Receita Operacional

O mix de receitas de 2022-23 atingiu €188M (Nota 15), com a UEFA como líder indisputado (€74,3M, 40%). A comparação com 2021-22 revela crescimento em todas as fontes: UEFA +13%, TV +3%, patrocínios +18%, bilheteira +39% (de €14,2M para €19,8M, beneficiando do título nacional e do ambiente de campeão), corporate +29% (de €13,2M para €17,0M). Este crescimento transversal confirma o efeito composto do sucesso desportivo nas receitas operacionais: o campeonato amplifica bilheteira, o corporate e o apelo a patrocinadores, enquanto a Liga dos Campeões garante os prémios UEFA. A dependência estrutural da UEFA (40%) sinaliza que qualquer eliminação precoce em anos futuros terá impacto imediato de €30-40M nas receitas.