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Época 2021-22

IAS/IFRS

RelatorioBenficaSAD2022.pdf

Rendimentos

169.3 M€

Resultado Líq.

−35.0 M€

Custo Pessoal

112.6 M€

Saldo Transf.

41.6 M€

Demonstração de Resultados

Rendimentos Operacionais 169.3 M€
Gastos com Pessoal −112.6 M€
FSE −67.7 M€
Resultado Operacional −31.6 M€
Resultado Líquido −35.0 M€

Balanço

Ativo Total 533.7 M€
Passivo Total 424.7 M€
Capital Próprio +109.0 M€
Plantel (valor) 111.9 M€
Ativo Corrente 118.7 M€
Passivo Corrente 171.0 M€

Custos com Pessoal

Total Pessoal −112.6 M€
Remunerações 92.3 M€
Rem. Fixas 79.2 M€
Rem. Variáveis 13.2 M€
Encargos Sociais 6.0 M€
Indemnizações 8.0 M€
Comissões Agentes −10.0 M€

Transferências

Receitas de Transferências 64.2 M€
Gastos c/ Transferências −22.6 M€
Saldo +41.6 M€

Dívida

Empréstimos Bancários 145.3 M€
Total Obrigacionista 142.4 M€
└ Benfica SAD 2020‑2023 49.6 M€
└ Benfica SAD 2021‑2024 34.4 M€
└ Benfica SAD 2022‑2025 58.4 M€

Análise

Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2021-22

A época 2021-22 representou um período de declínio financeiro significativo para o Benfica. Apesar de ter registado receitas totais de €169,3M, o clube enfrentou um resultado operacional de €-31,6M e um resultado líquido negativo de €-35,0M, uma deterioração acentuada face aos €-17,4M da época anterior. O passivo total cresceu de €379,6M para €424,7M, enquanto o capital próprio caiu de €143,7M para €109,0M, uma redução de 24% num único exercício. Este enfraquecimento patrimonial ocorreu numa época sem título nacional, evidenciando a dificuldade em manter competitividade sem retorno desportivo.

O desequilíbrio operacional deveu-se essencialmente à estrutura de custos: as despesas com pessoal totalizaram €112,6M (66% dos rendimentos totais), sendo €92,3M em remunerações, um rácio estruturalmente elevado. As comissões a agentes desportivos acrescentaram €10,0M. O modelo operacional recorrente não é autossustentável: a actividade de transferências funcionou como mecanismo de compensação do défice operacional, não como actividade complementar.

Quanto ao mercado de transferências, as demonstrações de resultados registaram receitas de €64,2M e gastos de €22,6M, produzindo um saldo contabilístico de €41,6M. É fundamental clarificar que os €22,6M de gastos representam a amortização anual dos passes adquiridos reconhecida no exercício, não o investimento total em contratações. O cash efectivamente pago em novas aquisições foi de €47,7M, enquanto o Transfermarkt reporta €24,5M em fees acordados (diferença que pode resultar de pagamentos de prestações de contratações anteriores). Do lado das receitas, o Transfermarkt regista €48,0M em saídas, face aos €64,2M contabilizados, diferença atribuível a timing de reconhecimento e estrutura de pagamentos. O saldo líquido de caixa foi de €-4,4M (€43,3M recebidos menos €47,7M pagos), que contrasta com o saldo contabilístico de €41,6M e revela que o clube foi, na prática, comprador líquido em termos de caixa neste exercício.

A dívida estruturada de €287,7M (€145,3M em empréstimos bancários e €142,4M em obrigacionistas) combinada com caixa de €24,1M face a um passivo corrente de €171,0M sinaliza uma posição de liquidez constrangida que exige gestão activa de refinanciamento. A trajectória de erosão patrimonial aberta em 2021-22 estabeleceu as condições que tornaram imperativa a estratégia agressiva de transferências em 2022-23.

O regresso à Liga dos Campeões e aos estádios com público reconfigurou completamente as fontes de receita. Os prémios UEFA subiram para €65,4M (40%), impulsionados pela progressão nos oitavos-de-final da Champions, enquanto a bilheteira recuperou para €14,2M (9%) com os adeptos de volta. Os direitos televisivos (€47,3M, 29%) cresceram, e os patrocínios (€20,2M, 13%) retomaram a tendência ascendente. O total de receitas operacionais de €162M representou a maior recuperação em valor absoluto, confirmando que a volatilidade das receitas UEFA é o principal driver de variação interanual do modelo financeiro do Benfica.

Ver análise detalhada

ANÁLISE FINANCEIRA DO BENFICA SAD - ÉPOCA 2021-22

CONTEXTO E SITUAÇÃO PATRIMONIAL

A época 2021-22 foi particularmente desafiante para o Benfica SAD, marcada pela não conquista do campeonato nacional e por um deterioramento significativo da posição patrimonial. O ativo total situou-se em €533,7M, representando um crescimento nominal de €10,4M face ao exercício anterior, mas esta expansão resultou exclusivamente de incrementos no ativo não corrente com destaque para o reforço das imobilizações do plantel. O capital próprio contraiu de forma preocupante, recuando de €143,7M para €109,0M, uma redução de 24,2% num único exercício, reflectindo as perdas operacionais acumuladas. O rácio de solvabilidade (Capital Próprio/Ativo Total) degradou-se para 20,4%, evidenciando uma estrutura patrimonial crescentemente dependente de capital alheio. Esta erosão, se prosseguida, comprometeria a capacidade de acesso a financiamento em condições favoráveis.

LIQUIDEZ E ESTRUTURA DE PASSIVOS

A posição de liquidez revelou-se constrangida no exercício. O ativo corrente de €118,7M confrontava-se com um passivo corrente elevado de €171,0M, gerando um rácio de liquidez geral de apenas 0,69. A caixa disponível (€24,1M) representava apenas 14,1% do passivo corrente, denunciando fragilidade na capacidade de fazer face a compromissos de curto prazo sem novos financiamentos. A estrutura de financiamento evidenciava alavancagem elevada: dívida total de €287,7M (empréstimos bancários de €145,3M e obrigacionistas de €142,4M), correspondendo a um rácio debt/equity de 2,64. Os instrumentos obrigacionistas, de perfil mais rígido em termos de covenants, implicam pressão significativa sobre a geração de caixa operacional.

RESULTADOS OPERACIONAIS E QUALIDADE DOS GASTOS

O desempenho operacional registou uma deterioração acentuada. O resultado operacional foi negativo em €31,6M, agravando o resultado líquido de €-17,4M do exercício anterior para €-35,0M. Os rendimentos totais de €169,3M cobriram insuficientemente os custos estruturais. Os gastos com pessoal de €112,6M (66,5% dos rendimentos totais), decompostos em remunerações de €92,3M e encargos sociais de €6,0M, revelam uma estrutura de custos fixos que torna o modelo operacional pouco resiliente a variações de receita. As comissões a agentes desportivos de €10,0M acrescentaram pressão adicional. Esta estrutura de custos fixos elevados sinaliza vulnerabilidade estrutural em cenários de redução de receitas operacionais recorrentes.

METODOLOGIA CONTABILÍSTICA DAS TRANSFERÊNCIAS

As demonstrações de resultados registaram receitas de €64,2M e gastos de €22,6M em transferências, produzindo um saldo contabilístico de €41,6M. Para uma leitura correcta, é essencial distinguir os planos de análise: os €22,6M de gastos representam exclusivamente a amortização anual dos passes adquiridos (custo do passe ÷ duração do contrato), não o investimento bruto em contratações: o cash efectivamente pago em aquisições foi de €47,7M. Do lado das receitas, o cash recebido em alienações foi de €43,3M, face aos €64,2M contabilizados, diferença atribuível a timing de reconhecimento e estrutura de pagamentos por prestações. O saldo líquido de caixa em transferências foi de €-4,4M (€43,3M recebidos menos €47,7M pagos), contrastando com o saldo contabilístico de €41,6M, revelando que o clube foi comprador líquido em termos de caixa neste exercício, ao contrário do que a leitura isolada das demonstrações de resultados poderia sugerir. As vendas de relevo incluíram Pedrinho (€18,0M), Luca Waldschmidt (€12,0M) e Nuno Tavares (€8,0M); as contratações principais foram Roman Yaremchuk (€17,0M) e Soualiho Meïté (€6,0M).

CONCLUSÃO E SUSTENTABILIDADE DO MODELO

A época 2021-22 expôs fragilidades estruturais no modelo financeiro do Benfica SAD. A combinação de resultados operacionais negativos, custos de pessoal inflacionados em relação às receitas e dependência crítica de receitas de transferências revela um sistema que não se sustenta na actividade recorrente. A erosão do capital próprio, a liquidez constrangida e a alavancagem material sinalizam riscos de refinanciamento que obrigaram o clube a manter pressão permanente sobre a monetização de activos desportivos nos exercícios seguintes. O desempenho desportivo negativo agravou a posição ao comprometer receitas de competições internacionais. Esta conjunção indica que os ajustes estruturais realizados em 2022-23, com vendas agressivas e maior disciplina operacional, foram uma resposta directa às fragilidades aqui identificadas.

Análise das Fontes de Receita Operacional

A recuperação pós-COVID e o regresso à Liga dos Campeões produziram um salto de €62M nas receitas operacionais face a 2020-21 (de €99M para €162M). Os prémios UEFA (€65,4M, 40%) foram o principal motor, ampliados pela progressão para os oitavos-de-final. A bilheteira (€14,2M, 9%) recuperou com a reabertura dos estádios, enquanto o corporate (€13,2M, 8%) também beneficiou do regresso do público. A estrutura revela um padrão consistente: TV (29%) e UEFA (40%) representam 69% das receitas operacionais, tornando o Benfica structuralmente dependente de dois factores externos: o contrato televisivo da Liga e a progressão europeia.