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Época 2019-20

IAS/IFRS

20201001-RelatorioBenfica-SAD-1920-AprovAG.pdf

Rendimentos

140.0 M€

Resultado Líq.

41.7 M€

Custo Pessoal

85.7 M€

Saldo Transf.

125.7 M€

Demonstração de Resultados

Rendimentos Operacionais 140.0 M€
Gastos com Pessoal −85.7 M€
FSE −72.7 M€
Resultado Operacional +54.0 M€
Resultado Líquido +41.7 M€

Balanço

Ativo Total 487.1 M€
Passivo Total 325.9 M€
Capital Próprio +161.1 M€
Plantel (valor) 102.9 M€
Ativo Corrente 94.6 M€
Passivo Corrente 147.6 M€

Custos com Pessoal

Total Pessoal −85.7 M€
Remunerações 70.2 M€
Rem. Fixas 63.0 M€
Rem. Variáveis 7.3 M€
Encargos Sociais 4.8 M€
Indemnizações 4.0 M€
Comissões Agentes −13.1 M€

Transferências

Receitas de Transferências 145.2 M€
Gastos c/ Transferências −19.4 M€
Saldo +125.7 M€

Dívida

Empréstimos Bancários 66.2 M€
Total Obrigacionista 58.9 M€
└ Benfica SAD 2018-2021 19.7 M€
└ Benfica SAD 2019-2022 39.2 M€

Análise

Análise Financeira do Benfica SAD | Época 2019-20

A época 2019-20 representou um período de reequilíbrio financeiro para o Benfica, marcado pela venda histórica de João Félix por €127.2M em Julho de 2019. Apesar de o clube não ter conquistado o título nacional, a sua estrutura financeira melhorou substancialmente. O Ativo Total registou €487.1M, mantendo-se próximo do ano anterior (€500.8M), enquanto o Passivo Total desceu para €325.9M face aos €384.6M de 2018-19. Esta redução de dívida de quase €60M permitiu que o Capital Próprio aumentasse €44.9M, atingindo €161.1M, sinalizando uma posição de solvência mais robusta.

Os resultados operacionais foram particularmente sólidos, com um Resultado Líquido de €41.7M, representando uma melhoria de 41% relativamente ao ano anterior (€29.4M). Este desempenho foi impulsionado pelas receitas de transferências no valor de €145.2M, que cobriram amplamente os investimentos em compras de jogadores (€19.4M). O Resultado Operacional de €54.0M demonstrou que a máquina operacional do clube funcionou eficazmente, apesar dos custos com pessoal se terem mantido elevados em €85.7M, ocupando aproximadamente 61% das receitas totais de €140.0M.

Contudo, o clube enfrentou constrangimentos de liquidez que não foram negligenciáveis. O Caixa e Equivalentes totalizava apenas €5.3M face a um Passivo Corrente de €147.6M, criando uma dependência clara de fluxos de caixa operacionais e de possíveis novas transações comerciais. Embora a estratégia de monetização do plantel tenha sido bem-sucedida (saldo de €125.7M em transações), o Benfica mantinha ainda um Plantel com valor contabilístico de €102.9M, sugerindo que o modelo de negócio continuava assente na capacidade de identificar e vender ativos desportivos de elevado valor.

As receitas operacionais desta época foram marcadas por dois factores opostos: a forte campanha europeia (UEFA €48,5M, 37%) e o impacto da pandemia COVID-19 que eliminou as receitas de bilheteira na segunda metade da temporada. Os direitos televisivos mantiveram-se estáveis (€38,6M, 29%), enquanto patrocínios (€19,3M, 15%) e corporate (€12,3M, 9%) sofreram impacto parcial. A bilheteira (€11,6M, 9%) reflecte apenas a primeira metade da época, com os jogos em casa disputados sem público a partir de Março de 2020. A UEFA continuou a ser a maior fonte individual de receita, sublinhando a relevância do desempenho europeu para a sustentabilidade financeira.

Ver análise detalhada

Análise Financeira do Benfica SAD, Época 2019-20

Contexto e Estrutura Patrimonial

A época 2019-20 representou um período de transformação patrimonial significativa para o Benfica SAD, marcado pela ausência do título nacional apesar de uma gestão financeira que gerou resultados positivos relevantes. O ativo total situava-se nos €487,1M, ligeiramente inferior ao exercício anterior (€500,8M), refletindo uma redução de 2,7% que resultou da depreciação do plantel após múltiplas saídas de jogadores. O capital próprio aumentou 38,6%, de €116,2M para €161,1M, evidenciando que o clube conseguiu transformar as receitas operacionais em reforço da solidez patrimonial apesar do contexto desportivo menos favorável.

Dinâmica de Receitas e Transferências

A análise das transferências revela o modelo de negócio adotado pelo clube nesta época. As receitas de vendas atingiram €145,2M em contabilidade geral, enquanto o Transfermarkt registou €233,0M em operações concretizadas, sugerindo desfasamentos contabilísticos relacionados com reconhecimento de receitas e variações cambiais. A venda de João Félix por €127,2M constituiu a operação mais relevante, seguida pela de Raúl Jiménez (€38,0M) e Raúl de Tomás (€22,5M), totalizando €233,0M em saídas brutas. As contratações, por sua vez, absorveram apenas €64,8M, gerando um saldo líquido positivo de €168,3M em fluxo de transferências. Este diferencial foi fundamental para reforçar a posição de caixa e reduzir endividamento, apesar de criar pressão competitiva no imediato.

Rentabilidade Operacional e Sustentabilidade de Resultados

O resultado operacional de €54,0M e o resultado líquido de €41,7M apresentavam margem operacional de 38,6% sobre os rendimentos totais (€140,0M), indicador que refletia a elevada concentração de receitas em operações de transferências. Contudo, a qualidade dos resultados apresentava fragilidades estruturais. Os gastos com pessoal totalizaram €85,7M (61,2% dos rendimentos), enquanto as comissões a agentes desportivos ascenderam a €13,1M, evidenciando pressões significativas nos custos operacionais que limitavam a sustentabilidade do modelo sem dependência de receitas de alienações. A comparação com 2018-19 (resultado líquido de €29,4M) mostrava crescimento de 41,8%, todavia este aumento era largamente suportado pelo diferencial positivo de transferências e não por melhoria operacional orgânica.

Solvabilidade e Estrutura de Endividamento

O rácio de alavancagem (debt/equity) situava-se aproximadamente em 0,75, com endividamento líquido de €125,0M (dívida bruta de €125,1M menos caixa de €5,3M), resultando num rácio debt/equity de 0,78. Apesar desta alavancagem moderada, a distribuição da dívida evidenciava concentração em curto prazo, com €147,6M em passivo corrente face a €94,6M em ativo corrente, gerando um rácio de liquidez corrente de 0,64, manifestamente inadequado. Este desajuste de prazos revelava dependência da capacidade operacional e de renovação de financiamento para fazer face às obrigações de curto prazo, vulnerabilidade amplificada pela redução da caixa para €5,3M, nível crítico para uma organização desta escala.

Conclusões sobre Sustentabilidade

A solidez patrimonial geral do Benfica SAD em 2019-20 era enganadora. Embora o capital próprio tivesse aumentado expressivamente e o resultado líquido fosse positivo, a sustentabilidade financeira dependia criticamente da manutenção de receitas de transferências elevadas, padrão que não era garantido. Os gastos operacionais estruturais, particularmente em pessoal, constituíam um fardo importante face às receitas recorrentes, e o perfil de liquidez de curto prazo apresentava tensão material. O modelo adotado, baseado em aquisição de talentos com potencial de valorização e posterior alienação, viabilizara resultado positivo neste exercício, mas revelava-se excessivamente dependente de ciclos de mercado de transferências e de desempenho desportivo capaz de conservar ou apreciar valor de ativos intangíveis. A ausência do título nacional em 2019-20 demonstrou que esta estratégia comportava riscos significativos em termos de realização de expectativas de receitas futuras.

Análise das Fontes de Receita Operacional

Os rendimentos operacionais de €132M (Nota 15, excluindo transferências) tiveram na UEFA a principal fonte individual (€48,5M, 37%), suportada pela participação na fase de grupos da Liga dos Campeões. Os direitos TV (€38,6M, 29%) mantiveram-se estáveis face ao exercício anterior. O impacto COVID-19 a partir de Março de 2020 truncou as receitas de bilheteira (€11,6M registados, reflectindo apenas os meses com público) e afectou o corporate (€12,3M). A concentração em UEFA como primeira fonte operacional (37%) representa risco de volatilidade: a eliminação precoce em competições europeias pode reduzir os rendimentos operacionais em €30-40M de um exercício para o seguinte.